A Mamã é que sabe – Arranjem uma Pedra

Aproxima-se o dia do animal e, há que pensar nos melhores amigos do homem, tenham eles pele, pelo, penas ou escamas. A verdade é que ter cão ou gato é uma chatice. É preciso levar ao veterinário, comprar comidinha quase mais cara que a nossa, têm que ir à rua ou mudar a areia e depois há a questão complicada das férias, das saídas. Nem vou falar das casas cheias de pelos, pó, saliva e os incontornáveis presentes que podem acontecer.

Este verão, fomos jantar a casa de uns amigos, a caminho das férias e levámos a Leia e o Faísca, que foram super bem acolhidos. A minha amiga tinha visto um anúncio de uma associação que brincava que o melhor animal de estimação era a Pedra. Não precisa de comer, ir à rua, ir ao veterinário e podemos levá-la para todo o lado. É o animal de estimação perfeito.

Não é fácil ter um animal de estimação que deixa de ser um bicho para, aos poucos, se tornar membro integrante da família. Ir de férias é, para mim, e muitos outros amantes de animais, um tormento. Um gato aguenta bem sozinho mas o nosso é doente e mais do que duas noites sozinho fica muito nervoso e pode desencadear uma crise. Já a cadela, mais de doze horas sozinha pode desencadear uma crise sanitária quando regressarmos a casa.

Leia

faisca
Faísca resgatado

Daí que as nossas férias incluam os nossos bichanos. Agora, o busílis é encontrar um alojamento para 5 pessoas, um cão e um gato, com bom aspecto e que não nos leve dois ordenados de professor. Não é nada, nada fácil. Os hotéis em Portugal não recebem, na sua grande maioria, animais de estimação nem aparthoteis, nem os bungalows em parques de campismo onde os animais são permitidos, em todo o lado menos ali. Foi por isso que tive que acampar três noites numa tenda este ano, para grande alegria das minhas crianças. Não é que me importe mas gostava de ter ido para um bungalow, pelo menos uma noite. Mas ter animais implica ter que pensar bem e arranjar soluções que se adaptem à família.

Ah e tal! As crianças são mais felizes com animais e faz-lhes bem. Aprendem coisas como responsabilidade e tal. E o amor incondicional e companheiros para brincar e tal… Pois é, mas quem muda a areia cá em casa, quem é? Não sou eu, é o pai! Mas sim, ter um animal é maravilhoso e faz bem a quem os tem, desde que a rotina da família se possa adaptar,

Ter um animal é quase como ter um filho. Requer responsabilidade, amor e empenho, para a saúde e a doença, para os miminhos e o cocó. Se não gostam destes requerimentos, olhem, arranjem uma pedra, pintem-lhe uns bigodes e chamem-lhe Totó!

Anúncios

E se um dia lhe cair um melro aos pés?

Pelos vistos, nestes dias, eles caem que nem tordos, perdão, melros. E, hoje, à hora do almoço fui prendada com um pequenino no meio da estrada. Ainda com aquela penugem característica dos pássaros bebés mas já aos pulinhos. Infelizmente as árvores onde vivo são muito altas e nem com um escadote consegui chegar ao ninho (se eu soubesse onde ficava).

IMG_20180517_170303

Telefonei para o nosso veterinário, salvo seja, para o veterinário da Princesa Leia e do Faísca Perry Alho, que me aconselhou a levar a criatura para o Centro de Interpretação de Monsanto, que tem um pequeno espaço onde recebem animais silvestres e os reabilitam.

A verdade é que o nosso melrinho já não era o primeiro hoje… Por isso, cuidado! Parece que eles andam a cair das árvores que nem tordos. Recebemos um papel, semelhante a uma fatura e, às quartas, posso telefonar e saber como está o melrinho. Este já não comida de gato!

Podem igualmente contactar a Linha SOS Ambiente pelo 808 200 520. Já nos aconteceu cair um falcão jovem no nosso alpendre e vieram buscá-lo. Alguns meses depois, quando foi libertado, convidaram-nos a vê-lo partir. Foi uma cerimónia muito bonita!